{"id":24823,"date":"2016-11-21T03:53:38","date_gmt":"2016-11-21T03:53:38","guid":{"rendered":"http:\/\/wealinternational.com.br\/?p=24823"},"modified":"2017-01-27T00:48:15","modified_gmt":"2017-01-27T00:48:15","slug":"a-era-das-fabricas-inteligentes-esta-comecando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wealinternational.com.br\/en\/a-era-das-fabricas-inteligentes-esta-comecando\/","title":{"rendered":"A era das f\u00e1bricas inteligentes est\u00e1 come\u00e7ando"},"content":{"rendered":"<p>A f\u00e1brica mais moderna da Europa em nada se parece com as descri\u00e7\u00f5es da U.S. Robots and Mechanical Men, a ind\u00fastria inventada pelo americano Isaac Asimov, um dos maiores autores de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de todos os tempos.<\/p>\n<p>Em vez do pr\u00e9dio sem gra\u00e7a e com paredes cinza\u00a0 dos textos de Asimov, o edif\u00edcio que abriga a produ\u00e7\u00e3o de carros da BMW em Leipzig, na Alemanha, tem forma arredondada, \u00e9 todo envidra\u00e7ado e lembra um museu de arte moderna.<\/p>\n<p>Pode n\u00e3o produzir rob\u00f4s, como a imagin\u00e1ria U.S. Robots and Mechanical Men, mas, na linha de montagem do i3, o primeiro modelo el\u00e9trico da BMW, tudo parece futurista. N\u00e3o h\u00e1 barulho nem sequer fa\u00edscas. Como em uma dan\u00e7a sincronizada, bra\u00e7os mec\u00e2nicos levantam carca\u00e7as, juntam peda\u00e7os e ali mesmo fazem testes de qualidade.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria automobil\u00edstica est\u00e1 entre as mais robotizadas do mundo, mas ainda assim a unidade mais moderna da BMW, com seus mais de 1\u2009000 rob\u00f4s, \u00e9 um caso \u00e0 parte. Os funcion\u00e1rios, todos de colete azul, acompanham tudo a dist\u00e2ncia pelas telas de computadores.<\/p>\n<p>Os seres humanos s\u00f3 supervisionam o trabalho das m\u00e1quinas. A unidade de Leipzig \u00e9 uma pr\u00e9via do futuro das f\u00e1bricas. \u201cEstamos no est\u00e1gio inicial de uma mudan\u00e7a t\u00e3o profunda na manufatura como aquela provocada pela Revolu\u00e7\u00e3o Industrial\u201d, afirma Erik Brynjolfsson, professor de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).<\/p>\n<p>Junto com Andrew McAfee, tamb\u00e9m professor do MIT, Brynjolfsson \u00e9 autor do livro A Segunda Era das M\u00e1quinas, com previs\u00e3o de lan\u00e7amento no Brasil para at\u00e9 o fim do ano e aclamado como a nova b\u00edblia das tend\u00eancias do setor industrial.<\/p>\n<p>Para McAfee e Brynjolfsson, que teve uma conversa em junho com o presidente americano, Barack Obama, para discutir o tema da competitividade, o setor produtivo mundial est\u00e1 num processo movido por tr\u00eas for\u00e7as: o avan\u00e7o exponencial da capacidade dos computadores, a imensa quantidade de informa\u00e7\u00e3o digitalizada e novas estrat\u00e9gias de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O progresso computacional fez com que as m\u00e1quinas ficassem muito mais potentes, \u00e1geis e, sobretudo, baratas. Em 1985, o computador mais r\u00e1pido do mundo era o Cray-2, que custava 30 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Em seus anos de gl\u00f3ria, foi utilizado para pesquisas em energia at\u00f4mica.<\/p>\n<p>Hoje, um iPad tem capacidade de processamento superior \u00e0 do Cray-2. Na \u00faltima d\u00e9cada, o pre\u00e7o de alguns modelos de sensores usados nos aparelhos eletr\u00f4nicos caiu 85%. Na ind\u00fastria, em geral, e no caso espec\u00edfico da f\u00e1brica da BMW, em Leipzig, essa tend\u00eancia pode ser sentida pela forte expans\u00e3o dos rob\u00f4s.<\/p>\n<p>Em 2013, as vendas de rob\u00f4s industriais no mundo foram recorde: 179\u2009000 unidades. A populariza\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado do pre\u00e7o em queda e das novas habilidades que eles est\u00e3o ganhando. De acordo com um estudo da consultoria americana McKinsey, o pre\u00e7o dos rob\u00f4s vem caindo 10% ao ano nas \u00faltimas d\u00e9cadas. E a produtividade deles est\u00e1 aumentando.<\/p>\n<p>Dependendo do tipo de aplica\u00e7\u00e3o, os modelos mais novos s\u00e3o 40% mais r\u00e1pidos do que os das gera\u00e7\u00f5es anteriores. M\u00e1quinas de alta destreza que hoje s\u00e3o vendidas a 150\u2009000 d\u00f3lares dever\u00e3o custar metade desse valor at\u00e9 2025.<\/p>\n<p>A segunda caracter\u00edstica dessa nova era industrial \u00e9 a imensa quantidade de informa\u00e7\u00e3o digital dispon\u00edvel. A concep\u00e7\u00e3o dos produtos, o design, os testes com novos materiais, os prot\u00f3tipos, a arquitetura da f\u00e1brica, a organiza\u00e7\u00e3o da linha de produ\u00e7\u00e3o, o estoque de materiais, o manual de um equipamento, tudo \u00e9 digital.<\/p>\n<p>Isso permitiu criar e operar ambientes fabris virtuais em sincronia com a unidade f\u00edsica. Os ganhos j\u00e1 s\u00e3o vis\u00edveis antes mesmo de os primeiros produtos ficarem prontos.<\/p>\n<p>Nas montadoras de autom\u00f3veis Toyota, Fiat e Nissan, o tempo de desenvolvimento de um novo modelo caiu at\u00e9 50% a partir do momento que designers e engenheiros passaram a usar informa\u00e7\u00f5es digitalizadas e testes virtuais de pe\u00e7as.<\/p>\n<p>Na fabricante de avi\u00f5es Embraer, os oper\u00e1rios respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o do jato Legacy 500, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, no interior paulista, come\u00e7aram a treinar, de forma virtual em 3D, o que fariam no ch\u00e3o de f\u00e1brica um ano antes do in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o. O projeto teve 12\u2009000 horas de testes antes de a aeronave fazer a primeira decolagem.<\/p>\n<p>Defeitos que eram detectados somente com o avi\u00e3o no ar foram resolvidos ainda na fase de prepara\u00e7\u00e3o. Na linha de montagem, os oper\u00e1rios usam computadores e tablets. Em caso de d\u00favida, h\u00e1 sempre um v\u00eddeo para explicar como colocar uma pe\u00e7a. Com todos os ganhos da digitaliza\u00e7\u00e3o, o tempo de montagem j\u00e1 caiu 25%.<\/p>\n<p>\u201cAssim como os smartphones facilitaram a vida das pessoas, o uso de computadores e tablets est\u00e1 revolucionando o ch\u00e3o de f\u00e1brica\u201d, diz Marco T\u00falio Pellegrini, presidente do segmento de avia\u00e7\u00e3o executiva da Embraer.<\/p>\n<p>Os computadores mais potentes e a digitaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o tend\u00eancias j\u00e1 amplamente vis\u00edveis em alguns segmentos da ind\u00fastria. Mas a nova era das m\u00e1quinas tamb\u00e9m dever\u00e1 ser movida por avan\u00e7os na \u00e1rea de inova\u00e7\u00e3o que ainda est\u00e3o em gesta\u00e7\u00e3o. Uma das tend\u00eancias mais promissoras \u00e9 a inova\u00e7\u00e3o colaborativa.<\/p>\n<p>Pessoas sem nenhum contato com a ind\u00fastria poder\u00e3o recombinar tecnologias existentes e fazer contribui\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas de design, novos materiais, gest\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o. Algumas empresas j\u00e1 est\u00e3o dispostas a apostar nessa estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>Em novembro, a companhia de tecnologia IBM criou um fundo de 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares para impulsionar a inova\u00e7\u00e3o tendo como base a plataforma do supercomputador Watson, famoso por ter vencido competidores humanos num programa de quiz da TV americana. Pela primeira vez, a tecnologia de intelig\u00eancia artificial da IBM ficou dispon\u00edvel para a cria\u00e7\u00e3o de novos aplicativos e novos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>O acesso \u00e0 plataforma do Watson ser\u00e1 gradual e come\u00e7ou com startups que submeteram \u00e0 IBM projetos de aplicativos focados em diferentes setores. Em junho, a americana Tesla, fabricante de carros el\u00e9tricos da Calif\u00f3rnia e considerada uma das empresas mais inovadoras do mundo, anunciou que abriu todo o seu portf\u00f3lio de 160 patentes para outros inventores.<\/p>\n<p>\u201cHoje em dia as patentes servem apenas para abafar a inova\u00e7\u00e3o\u201d, escreveu Elon Musk, presidente da Tesla, em seu blog ao comunicar a decis\u00e3o. O objetivo de Musk \u00e9 que, com mais gente usando as tecnologias criadas pela Tesla, novas ideias surjam e ajudem a criar mais mercado para o ainda t\u00edmido segmento de carros el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>Transforma\u00e7\u00f5es incrementais fazem parte da hist\u00f3ria das f\u00e1bricas desde o seu nascimento. O que mais impressiona hoje, al\u00e9m da extens\u00e3o das mudan\u00e7as, \u00e9 o ritmo fren\u00e9tico. A Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, iniciada na Inglaterra no s\u00e9culo 18, demorou mais de 100 anos para ganhar uma escala global. As m\u00e1quinas a vapor levaram sete d\u00e9cadas para dobrar sua produtividade.<\/p>\n<p>Em apenas 15 anos, a populariza\u00e7\u00e3o dos computadores e da internet j\u00e1 deixou um rastro de transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 essa revolu\u00e7\u00e3o que agora est\u00e1 invadindo o ch\u00e3o de f\u00e1brica. Embora seja um fen\u00f4meno mundial, ele \u00e9 mais presente nos Estados Unidos e na Europa \u2014 e isso tem uma explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante boa parte das duas \u00faltimas d\u00e9cadas, a manufatura dos pa\u00edses ricos se deslocou em dire\u00e7\u00e3o ao mundo emergente em busca de custos mais baixos. Foi esse movimento que transformou a China na f\u00e1brica do mundo.<\/p>\n<p>O modelo Made in China reinou absoluto enquanto o pa\u00eds tinha uma vasta reserva de m\u00e3o de obra qualificada a pre\u00e7os irris\u00f3rios. Mas, nos \u00faltimos dez anos, os custos trabalhistas chineses aumentaram quase 190%.<\/p>\n<p>Nesse mesmo per\u00edodo, a press\u00e3o pol\u00edtica para que as empresas voltassem a produzir em seu pa\u00eds de origem aumentou devido \u00e0 crise econ\u00f4mica. No caso espec\u00edfico dos Estados Unidos, houve ainda a queda do pre\u00e7o da energia em raz\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do g\u00e1s e do petr\u00f3leo de xisto.<\/p>\n<p>A China continua tendo um dos mais poderosos parques fabris do mundo, mas a lista de empresas que est\u00e3o promovendo o que est\u00e1 sendo chamado de renascimento da ind\u00fastria nos pa\u00edses ricos inclui nomes como as europeias Philips e Zara, e as americanas Apple, GE, Ford e Whirlpool.<\/p>\n<p>\u201cQuando essas companhias voltam para casa, abrem f\u00e1bricas com a tecnologia mais avan\u00e7ada que existe para se manter competitivas\u201d, diz Terry Hannon, vice-presidente de estrat\u00e9gia da fabricante de rob\u00f4s Adept Technology, com sede em Pleasanton, na Calif\u00f3rnia. F\u00e1bricas automatizadas e robotizadas significam ind\u00fastrias com cada vez menos gente.<\/p>\n<p>Esse dilema \u00e9 antigo. Quase tr\u00eas d\u00e9cadas de desindustrializa\u00e7\u00e3o eliminaram 6 milh\u00f5es de postos de trabalho industriais nos Estados Unidos \u2014 fazendo com que o emprego nas f\u00e1bricas atingisse o patamar dos anos 40. Mesmo com o retorno das ind\u00fastrias, essa parece ser uma tend\u00eancia sem volta.<\/p>\n<p>H\u00e1 um ano, a Philips construiu uma f\u00e1brica de barbeadores el\u00e9tricos na Holanda com 126 rob\u00f4s e algumas dezenas de pessoas. \u201cOs empregos que envolvem fun\u00e7\u00f5es repetitivas v\u00e3o desaparecer rapidamente nos pr\u00f3ximos anos\u201d, diz o economista Michael Spence, ganhador do Pr\u00eamio Nobel e professor da Universidade de Nova York.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses ricos, estima-se que 25% de todas as fun\u00e7\u00f5es na ind\u00fastria dever\u00e3o ser substi\u00adtu\u00eddas por tecnologias de automa\u00e7\u00e3o at\u00e9 2025. No mundo, a estimativa \u00e9 que 60 milh\u00f5es de postos de trabalho em f\u00e1bricas sejam limados.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nF\u00e1bricas Inteligentes<\/strong><\/p>\n<p>Entre os pa\u00edses ricos, a Alemanha aparece como exce\u00e7\u00e3o. Primeiro, porque suas ind\u00fastrias sempre mantiveram uma presen\u00e7a forte na Europa. Segundo, porque h\u00e1 uma promissora coaliz\u00e3o entre governo, empresas, universidades e associa\u00e7\u00f5es de classe para tentar garantir a competitividade local.<\/p>\n<p>Criado em 2012, o projeto Ind\u00fastria 4.0 tem como foco pesquisas sobre o que se convencionou chamar de f\u00e1bricas inteligentes. Nelas, linhas de montagem e produtos \u201cconversam\u201d ao longo do processo de fabrica\u00e7\u00e3o. Unidades em diferentes lugares tamb\u00e9m trocam informa\u00e7\u00f5es de forma instant\u00e2nea sobre compras e estoques.<\/p>\n<p>\u201cNuma f\u00e1brica inteligente, trabalhadores, m\u00e1quinas, produtos e mat\u00e9rias-primas se comunicam de forma t\u00e3o natural quanto pessoas numa rede social\u201d, diz Henning Kagermann, diretor da Academia Alem\u00e3 de Ci\u00eancia e Engenharia, uma das entidades que lideram o projeto Ind\u00fastria 4.0. A estimativa \u00e9 que, em 20 anos, boa parte da ind\u00fastria alem\u00e3 tenha adotado esse padr\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, o pa\u00eds j\u00e1 conta com alguns exemplos de f\u00e1bricas inteligentes. Na unidade de equipamentos eletroeletr\u00f4nicos da Siemens, em Amberg, as linhas de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o lembram em nada as tradicionais, que repetem continua\u00admente a manufatura da mesma pe\u00e7a.<\/p>\n<p>Sem a interfer\u00eancia de funcion\u00e1rios, m\u00e1quinas que operam 24 horas por dia fabricam 950 diferentes componentes que s\u00e3o encomendados pelo sistema. A automa\u00e7\u00e3o extrema leva a um baix\u00edssimo \u00edndice de de\u00adfeitos \u2014 um estudo da consultoria americana Gartner em Amberg registrou 15 pe\u00e7as com defeito a cada 1 milh\u00e3o produzido.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o s\u00e3o apenas a competi\u00e7\u00e3o e o aumento de custos que est\u00e3o exigindo mudan\u00e7as na manufatura\u201d, diz Sieg\u00adfried Russwurm, presidente mundial da divis\u00e3o industrial da Siemens. \u201cO ciclo de vida da tecnologia est\u00e1 se reduzindo e as demandas por uma produ\u00e7\u00e3o sob medida est\u00e3o aumentando.\u201d<\/p>\n<p>A f\u00e1brica inteligente da Siemens \u00e9 um laborat\u00f3rio para criar plataformas de automa\u00e7\u00e3o que depois s\u00e3o vendidas. A empresa forneceu \u00adpara a montadora Volkswagen um soft\u00adware que cria um ambiente fabril virtual. Modernizada, a linha de produ\u00e7\u00e3o digitalizada aumentou 30% a pro\u00addutividade e diminui 40% o consumo de energia.<\/p>\n<p>Nas f\u00e1bricas inteligentes, os destaques ser\u00e3o cada vez mais os rob\u00f4s. A atual sensa\u00e7\u00e3o no mundo da automa\u00e7\u00e3o industrial \u00e9 o Baxter, um rob\u00f4 de quase 2 metros de altura com dois bra\u00e7os e um monitor que faz as vias de uma cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado em 2012 pela americana Rethink Robotics (um dos primeiros investidores da empresa foi Jeff Bezos, presidente do site de vendas Amazon), Baxter \u00e9 um rob\u00f4 que se adapta ao ambiente de trabalho. Ele tem c\u00e2meras que permitem que objetos sejam vistos, sensores que captam a presen\u00e7a de pessoas e um software que aprende novas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Seu pre\u00e7o inicial \u00e9 22\u2009000 d\u00f3lares. A perspectiva de sucesso do Baxter e do crescimento desse segmento est\u00e1 atraindo empresas de tecnologia que, at\u00e9 pouqu\u00edssimo tempo atr\u00e1s, n\u00e3o mantinham conex\u00e3o nenhuma com o universo de rob\u00f4s.<\/p>\n<p>Em 2013, por exemplo, o Google comprou oito empresas de rob\u00f3tica avan\u00e7ada \u2014 a mais famosa \u00e9 a Boston Dynamics, que desenvolveu o rob\u00f4 com aplica\u00e7\u00f5es militares Big Dog (uma esp\u00e9cie de mula de carga que anda em terrenos acidentados e \u00edngremes).<\/p>\n<p><strong><br \/>\nDefasagem tecnol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto o mundo se prepara para essa nova Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, o Brasil parece n\u00e3o ter se dado conta dos imensos desafios que o cercam. Em 2013, o pa\u00eds comprou menos de 1\u2009300 rob\u00f4s industriais \u2014 a Coreia do Sul adquiriu 21\u2009000, e a China, 37\u2009000.<\/p>\n<p>No Brasil, a idade m\u00e9dia de m\u00e1quinas e equipamen\u00adtos \u00e9 17 anos \u2014 ante sete anos nos Estados Unidos e cinco na Alemanha. Numa era de imensos ganhos tecnol\u00f3gicos, as empresas brasileiras est\u00e3o presas a tecnologias ultrapassadas, o que afeta diretamente a produtividade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Essa defasagem tecnol\u00f3gica tem v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 que o Brasil ainda tem uma economia fechada. Com o mercado dom\u00e9stico garantido, as ind\u00fastrias instaladas aqui t\u00eam menos incentivos para investir em aumento de produtividade.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que as empresas expostas \u00e0 competi\u00e7\u00e3o internacional, como a Embraer, s\u00e3o justamente as mais avan\u00e7adas em termos de tecnologia.<\/p>\n<p>\u201cA ind\u00fastria brasileira precisa estar inserida nos mercados globais para poder importar as melhores pr\u00e1ticas\u201d, diz Pedro Passos, fundador e s\u00f3cio da fabricante de cosm\u00e9ticos Natura e atual presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial.<\/p>\n<p>Outra raz\u00e3o que inibe o investimento em tecnologia \u00e9 o custo. Uma empresa brasileira gasta, em m\u00e9dia, 37% mais do que uma companhia americana na aquisi\u00e7\u00e3o do mesmo maquin\u00e1rio. A terceira raz\u00e3o \u00e9 a burocracia.<\/p>\n<p>M\u00e1quinas que trazem uma inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica est\u00e3o livres de impostos de importa\u00e7\u00e3o, mas, para conseguir o benef\u00edcio, a empresa precisa submeter o pedido ao governo, que, por sua vez, consulta as entidades patronais. O processo dura cerca de tr\u00eas meses.<\/p>\n<p>Um estudo in\u00e9dito sobre difus\u00e3o tecnol\u00f3gica no Brasil produzido pelo Senai com os nove principais setores da ind\u00fastria nacional mostra um quadro desalentador. Na \u00e1rea metal-mec\u00e2nica, por exemplo, apenas de 10% a 30% do mercado dever\u00e1 adotar rob\u00f4s de soldagem e montagem nos pr\u00f3ximos cinco anos.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u00e9 maior nas pequenas e m\u00e9dias empresas\u201d, diz Marcello Pio, diretor de pesquisas do Senai. \u201cElas demoram at\u00e9 dez anos para adquirir uma tecnologia lan\u00e7ada hoje.\u201d<\/p>\n<p>As exce\u00e7\u00f5es est\u00e3o nos setores mais din\u00e2micos da ind\u00fastria. A Kepler Weber, fabricante de silos para armazenagem de gr\u00e3os, est\u00e1 desenvolvendo um novo equipamento que responde automaticamente \u00e0s mudan\u00e7as de temperatura e umidade. Amplamente utilizada no exterior, a ferramenta elimina a necessidade de ter um t\u00e9cnico de plant\u00e3o em cada armaz\u00e9m.<\/p>\n<p>\u201cConhe\u00e7o produtores que perderam parte da safra porque o funcion\u00e1rio mexeu no bot\u00e3o errado e acabou torrando a soja que estava dentro do silo\u201d, diz Anast\u00e1cio Fernandes Filho, presidente da Kepler Weber. Outro canal de inova\u00e7\u00e3o no Brasil s\u00e3o as multinacionais, que trazem plataformas globais de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No setor de gases industriais, a alem\u00e3\u00a0 Linde adotou recentemente um sistema de gerenciamento remoto. De um centro de opera\u00e7\u00f5es em Jundia\u00ed, no interior paulista, cerca de 50 engenheiros operam 33 unidades na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Se uma m\u00e1quina apresenta um comportamento fora do padr\u00e3o na unidade de Guayaquil, no Equador, ela \u00e9 desativada por um clique no computador de um engenheiro em Jundia\u00ed.<\/p>\n<p>Isso fez com que as unidades da Linde, que antes tinham cada uma cerca de 20 funcion\u00e1rios, trabalhem agora com equipes de tr\u00eas pessoas. \u201cAo concentrar todos os especialistas no centro de opera\u00e7\u00f5es em Jundia\u00ed, aumentamos 30% nossa produtividade\u201d, diz Max Am\u00edlcar, diretor da Linde.<\/p>\n<p>Hoje, a unidade \u00e9 refer\u00eancia da multinacional alem\u00e3 no mundo e n\u00e3o para de receber visitas de estrangeiros curiosos em conhecer seus detalhes.\u00a0 A Linde criou seu modelo de inova\u00e7\u00e3o e vem recebendo as recompensas por ele. Se quiser manter a relev\u00e2ncia, a ind\u00fastria brasileira ter\u00e1 de seguir o mesmo caminho. A competi\u00e7\u00e3o com a m\u00e3o de obra chinesa nas \u00faltimas d\u00e9cadas j\u00e1 causou estragos.<\/p>\n<p>Sem prepara\u00e7\u00e3o, a disputa com m\u00e1quinas americanas e europeias poder\u00e1 ser pior. Abra\u00e7ar a inova\u00e7\u00e3o \u2014 seja ela um rob\u00f4, um sensor ou o que vier pela frente \u2014 pode garantir um futuro para quem est\u00e1 cada vez menos relevante no presente.<\/p>\n<p><strong>Fonte: EXAME.com<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A f\u00e1brica mais moderna da Europa em nada se parece com as descri\u00e7\u00f5es da U.S. Robots and Mechanical Men, a ind\u00fastria inventada pelo americano Isaac Asimov.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wealinternational.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24823"}],"collection":[{"href":"https:\/\/wealinternational.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wealinternational.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wealinternational.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wealinternational.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24823"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/wealinternational.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24823\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24826,"href":"https:\/\/wealinternational.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24823\/revisions\/24826"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wealinternational.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wealinternational.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wealinternational.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}